Semana Farroupilha - Jayme Caetano Braun
Hoje, degustando mais uma receita da minha Nona, uma lazanha gaudéria, e o sabor da poesia do grande pajador missioneiro, da minha terra, São Luiz Gonzaga, Jayme Caetano Braun. Do Livro "50 Anos de Poesia: Antologia Poética", o poema "Paraíso Perdido "...
Lazanha Encilhada:
ingredientes - 500 gramas de massa de lazanha; 500 gramas de mandioca (aipim) ; 250 gramas de toucinho defumado, sem pele, escaldado duas vezes para tirar bem o sal; 200 gramas de pinhão cozido e picado; 200 gramas de mussarela de búfala cortada em cubos pequenos; 3 tomates gaúchos picados; 1 dente de alho; 2 cebolas médias picadas; pimenta do reino; óleo; manjerona e óregano a gosto.
Fritar bem o toucinho, juntamente com o alho e uma cebola, até dourar, reservar. Fazer um molho a parte com a outra cebola, os tomates, a pimenta, a manjerona e o orégano. Cozinhar o pinhão, descascar, picar e reservar. Cozinhar a mandioca, amassar com um garfo (como purê), reservar. Juntar o pinhão com o toucinho numa frigideira e dourar por cinco minutos, reservar. Cozinhar a massa.
Montar a lazanha, alternando camadas de massa, de molho de tomate, de mandioca, o pinhão com o toucinho. Distribuir a mussarela de búfala na última camada. Salpicar com orégano e levar ao forno por mais ou menos 20 minutos . ...
Paraíso Perdido
Quem já leu o livro santo
Conheceu o que é preciso,
Entendeu o paraíso
Que era um lugaraço e tanto,
Na realidade o encanto
Dos tempos de antigamente,
Ali não havia doente,
Todo o mundo era sadio,
Céu e campo - mato e rio
E primavera somente!
Que beleza de lugar,
Diz a sagrada escritura,
A luz de graça - água pura,
Sem beniagá a incomodar,
Sem imposto pra pagar,
Sem as filas - sem bandido,
Sem congresso - sem partido,
Ontem - hoje e amanhã,
No meio disso - a maçã
Que era o fruto proibido!
É o bicho mais burro o "home",
Pois tudo corria bem,
Ninguém roubava ninguém,
Ninguém trocava de nome,
Ninguém morria de fome,
Nem havia o diz que disse,
Foi preciso que existisse
Um asno nessa Canaã:
- Adão comeu a maçã,
Embora Deus proibisse!
E a gente logo imagina,
Pois tudo foi de improviso,
A sombra do paraíso
Coberto pela neblina,
A Eva - um florão de china,
O pai Adão - cabeludo,
Índio grosso - sem estudo,
Desajeitado - sem roupa,
Viu a maçã "dando sopa"
E comeu - com casca e tudo!
E formou-se a confusão,
Depois desse desacato,
A Eva se foi ao mato
E logo atrás o Adão,
Resultado - a punição
Que tanto transtorno encerra,
Veio a doença - veio a guerra,
Veio a miséria - a ganância,
E nasceu a discordância
Nos quatro cantos da terra!
E o senhor disse ao Adão,
Já roído pelo desgosto:
Tu vais - com o suor do teu rosto,
Comer - de hoje em diante - o pão,
Sentir frio - dormir no chão,
A vida será uma luta,
Daí toda a lida bruta,
Decretada a cada um:
- Vivemos nesse zum-zum,
Só por causa de uma fruta!
E foi criado o inferno,
O verão - a primavera
O medo - a mentira - a fera,
A geada, o frio do inverno,
Além disso o padre eterno
Deixou que o homem sofresse,
Que amasse - que envelhecesse
E vivesse do serviço,
E - depois de tudo isso,
Só ia ao céu quem merecesse.
E seguiu a mesma farra,
Numa verdadeira afronta
E ninguém pagava conta,
Cantando que nem cigarra,
Com cordeona - com guitarra,
A cousa seguiu fervendo,
Deus terminou compreendendo,
Ante a falta de respeito
Que a seguir daquele jeito,
O inferno acabava enchendo!
E mandou Nosso Senhor,
O Menino de Belém,
O que em cada Natal vem,
Trazer carinho e amor,
Mas o homem - pecador,
Ao qual o dólar seduz,
Não quis compreender a luz,
Da fé e da fraternidade,
Jesus falava em verdade
E o pregaram numa cruz!
Conta a Sagrada Escritura
E a gente acredita nela,
Que o Autor da mensagem bela,
De carinho e de ternura,
O que trazia alma pura
Em todas as dimensões,
O Autor de mil sermões,
De montanha e descampado,
Acabou crucificado
No meio de dois ladrões!
E o homem que fez então,
Depois da morte sublime,
Ao invés de expiar o crime,
Num pedido de perdão,
Ou tentar a salvação,
Do inferno e da fogueira,
Chorando à sua maneira,
O Paraíso Perdido,
Muito embora arrependido,
Seguiu rondando a macieira...
Vídeo
A Poesia mais conhecida do mestre pajador é "Bochincho" e tu podes assistir aqui o própio Jayme declamando, junto com outros grandes nomes gaúchos, entre eles, outro missioneiro, Cenair Maicá...
Nota:Pequena Biografia: Jayme Caetano Braun (1924-1999), missioneiro de São Luiz Gonzaga, nosso maior pajador, publicou seus primeiros versos no Jornal "A Notícia", lá pelos anos de 1943, nas palavras do própio Jayme. Esta poesia "Paraíso Perdido" é do Livro "50 Anos de Poesia: Antologia Poética". Outras Obras: "De Fogão em Fogão", "Potreiro de Guachos", "Galpão de Estância", "Bota de Garrão", "Paisagens Perdidas", "Brasil Grande do Sul", "Vocabulário Pampeano", "Payador & Troveiro".
Nota aos declamadores: A Editora Alcance em acordo com a Ediouro, promove o encontro de 250 declamadores para registro do recorde mundial de maior número de poetas reunidos para declamação de seus textos.A jornada será realizada no âmbito da 53ª Feira do Livro e em diversos locais de Porto Alegre, previamente agendados. Os locais das apresentações irão sendo preenchidos pela ordem de interesse dos inscritos.Dias da realização: 9 e 10 de novembro/2007. Iscreva-se logo! Mais detalhes aqui


