Castelinho do Alto da Bronze Cultural





Toda gata [borralheira] quer um castelo!


Sete! Será mandinga?

Sete artistas tomam o castelo imortalizado pela lenda urbana de Porto Alegre e instalam suas idéias entre as paredes misteriosas do Alto da Bronze.
Escultores, pintores, desenhistas, poetas, misturam tudo isso e dão asas à imaginação, para transformar o endereço famoso da Fernando Machado, em mais um ponto irradiador de Cultura.

Alejandro Ruiz Velasco, Adriana Xaplin, Elen de Oliveira, Lena Kurtz, Lisete Bertotto, Manoel Henrique Paulo e EU

nos preparamos para entregar à comunidade artística, ao público leitor, aos admiradores das artes plásticas, da fotografia, da magia das cores caleidoscópicas, um espaço único de oficinas e experimentações sinestésicas!

Aos vinte e sete dias do inverno de Junho, inaugura-se o Castelinho Cultural...

Programação:

16 h - Abertura ao público convidado, ainda sob o auspício do sol, para oferecer a mágica prismática do Caleidoscópio gigante do Torreão

Todos serão recepcionados pela trupe circence "Cia Mundo Paralelo".

Às 18 h, será a vez da banda os poETs, formada pelos músicos e poetas Alexandre Brito, Ricardo Silvestrin e Ronald Augusto, com seu  show "os poETs Acústico"

Na sequência, Telma Scherer e o seu espetáculo poético "O Rumor da Casa"

Ainda, Aninha Freire e Cibele Endres com duo de flautas

e Marisa Rotemberg, entre outras atrações.

Sejam todos bem-vindos!

Coloque seu nome na lista de convidados, através do email: castelinhocultural@yahoo.com

sandra santos



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Poesia da Gata





beat


Não vou fazer amor 
vou fazer um poema beat
vou escorrer pelo ralo
metamorfose kafkaniana borboleta barata
como o poema que não houve
como o leitor que não soube
como a besta estatelada no cartoon
vou deixar de fumar por um momento
apagando meu hálito no seu
você vai dizer que é importante
eu vou dizer que é vão
você vai pegar um vapor para Londres
eu vou sonegar meu adeus
vou escarrar num estranho a minha insatisfação
vou virar gangrena
e você vai me amputar nem que não queira
cadafalso cada passo
sigo comigo sem direção
perdôo sem esforço teus erros e meu perdão
danço um Gardel no caminito
pago ser de outro lugar
minha sombra veste preto
e num último tango se desfaz 


sandra santos
do inédito "Lexovício"


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Poesia 





Palavra Viva


Passo o domingo degustando versos de amigos, publicados na primeira série da Coleção Palavra Viva, da editora Porto Poesia. Nesta, os poetas Juliana Meira, Marco Celso Viola, Mario Pirata, Mara Faturi e Renato de Mattos Motta. Capas primorosas, com trabalhos de Marcius Andrade, Cava, Rodrigo Pecci, Paulo Chimendes e novamente Renato de Mattos Motta, também ilustrador.

se tudo é vão
é outra a natureza em que
res valo

pés no chão
pés no barro

Juliana Meira

Fica alguma coisa
depois de nós?
Sim, pós!

Marco Celso Huffell Viola

céu lindo
a lua pendurada
é um brinco

Mario Pirata

Desistência

Gostou tanto do vermelho
que alegre e bem disposto
sorri do azul
que,
cansado da vida
subiu aos céus.

Mara Faturi

Até Maria a Louca
Soberana de Portugal
Declarou penalizada:
" Hoje a alegria é pouca
Decreto luto oficial
Que não funcione mais nada!

Árvores! Dispam suas folhas!
Garrafas! Mantenham suas rolhas!
Pássaros, calem seu canto!
Hoje o dia é sem encanto
E até eu que sou rainha
Vou de fraldas pra cozinha!"

Renato de Mattos Motta


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Poesia





haikais

haiku nipônico:

lua de prata
frio e silencioso
cai o orvalho


haiku gaúcho:

o orvalho cai
penso em ti guria
não em haicai


Alexandre Brito





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Poesia da Gata






Do Barro de que é Feito o Verso



seguro a pena como se fosse esteco
vou ferindo o papel até sangrar
fogem-me as palavras
entre os dedos

Seguro o verso feito um fio
do novelo das reminiscências
e vou seguindo
não como Teseu
o herói
mas como o Minotauro
monstro enjaulado
à procura de luz

Ânsias
de selva adentro
estrada afora
amassar o barro com os pés
esculturas vivas

Vivo
a dançar com Druidas
a ver Gnomos
num Jardim Medieval

sandra santos
do inédito "Lexovício"


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Poesia





O CIRCO

Entre os finalistas do  Prêmio Açorianos de Literatura 2008 , o poeta Alexandre Brito, com seu "Circo Mágico".
Seus poemas criam um mundo fantástico e lúdico que rompe com nossa embalagem de gente séria e força-nos a revisitar a criança que nunca deixamos de ser. 


A Mulher que Engole Fogo

a mulher que engole fogo
é cuca fresca
não se queima com nada

era fogo quando criança
quase incendiava a casa

Mas de noite
Nada de xixi na cama

Não gosta de pilotar fogão
prefere uma churrasqueira
uma fogueira, um fogo de chão
certas piadinhas ela não aceita
quando se irrita solta fogo pelas ventas

Sabe que não é bonita
mas também não é nenhum dragão

Alexandre Brito
in "O Circo Mágico"


Livro aqui

notas biográficas: Alexandre Brito é poeta, músico, letrista, editor e produtor cultural. Nascido em Porto Alegre, começou sua trajetória como poeta nos anos 80, em Belo Horizonte. No ano de 1986, publicou "Visagens" pela Editora Arte Pau Brasil. Coordenou a edição da Coleção de poesia Petit-Poa para a Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal da Cultura(SMC/POA), quando foi publicado "Zeros". Também produziu eventos como o 2 Poetar (1991/SMC-POA). Tem poemas publicados em diversas  antologias, revistas e sites especializados. É um dos editores da AMEOP - Editora, através da qual publicou em 2004 "O fundo do ar e outros poemas". Faz parte da banda "Os poETs" que lançou em 2005 o cd "Música Legal com Letra Bacana"

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Piano e Poesia



Dançam os dedos
entre ébano e marfim


Luiz de Simone


O pianista lança na França o seu CD EP- Ensaio Pianístico. O hit  "Musa" já é sucesso no Brasil e pode ser baixada no site do artista. Procure entre os meus links!
A música de Luiz de Simone emociona e envolve, num perfume clássico de raras notas...

notas biográficas: Luiz de Simone nasceu no Rio de Janeiro. Iniciou seus estudos de piano em 1988. Em 1990 ingressou no Conservatório Brasileiro de Música onde graduou-se Bacharel em piano, em 1998, e pós-graduou-se em Música para Cinema, Teatro e TV, em 2007. Realizou várias turnês pela Europa, tendo se apresentado diversas vezes em cidades como Paris, Lyon, Toulouse, Munique, Berlim e Frankfurt. É professor de piano do Conservatório Brasileiro de Música e também do Centro de Tecnologia Musical Luciano Alves, ambos do Rio de Janeiro.



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Poesia





O OBSERVADOR DO MUNDO

A prosa de hoje é a poesia do Túlio, um jovem professor da História da Arte que se lança visceralmente aos braços da Literatura...

"sobre o aparador o recorte com dados dum ser:
trinta reais, com local!"

"Faz não Oripe! Faz não!"

"Num sei o que os dois se achavam
Mas se gostavam mez
Assim mez com esse ze
Dum modo diferente que só es sabiam"

"Olha
Olha ela
A roupa dela
O jeito dela andar

Olha
Olha a monocelha dela
Calça larga na cintura
Sapato furado no dedão
As espinhas na testa

Olha
Coisa mais velha
À moda dela
O riso dela
É alegre por qual razão?"

Túlio Henrique Pereira
in "O Observador do Mundo Finito"

Livro aqui

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Damas

Jogo de Damas

clique no tabuleiro para jogar

O Jogo de Damas já era jogado no antigo Egito. No Brasil, tomou forma pelas mãos do Mestre Geraldino Izidoro e, mais tarde, se consolidou com a presença do grande campeão russo W. Bakumenko, o qual radicou-se com suas pedras em São Paulo. Mostre sua habilidade com o tabuleiro e dê o prazer de uma partida com a Gata, que está de férias e em pleno ócio. Caso sejas um expert e ganhe o jogo com muita facilidade, conheça também o Chinook, computador desenvolvido pelo canadense Jonathan Schaeffer e que executa somente jogadas perfeitas, capazes de derrotar qualquer campeão através da inteligência artificial.


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Poesia





Com usura - Ezra Pound



Com usura homem algum terá
casa de boa pedra
cada bloco talhado em polidez
e bem ajustado
para que o esboço envolva suas faces,


Com Usura
homem algum terá paraíso
pintado na parede de sua igreja
harpes et luz
ou onde a virgem receba a mensagem
e um halo projeta-se do inciso,
com usura
homem algum vê Gonzaga
seus herdeiros e concubinas
pintura alguma é feita pra ficar
nem pra com ela conviver
só é feita a fim de vender
e vender depressa


Com Usura, pecado contra a natureza,
sempre teu pão será rançosas códeas
sempre teu pão será de papel seco
sem trigo da montanha,
sem farinha forte
com usura uma linha cresce turva
com usura não há clara demarcação
e homem algum encontra sua casa.
O talhador não talha sua pedra
o tecelão não vê o seu tear


Com Usura
não vai a lã até a feira
carneiro não dá ganho com usura
a usura é uma peste, usura
engrossa a agulha
lá nas mãos da moça
E só pára a perícia de quem fia.
Pietro Lombardo
não veio via usura
Duccio não veio via usura
Nem Pier della Francesca;
Zuan Bellini não pela usura
nem foi pintada
'La Calunnia' assim.
Angelico não veio via usura;
nem veio Ambrogio Praedis,
Não veio Igreja alguma
de pedra talhada
com a incisão: Adamo me fecit.
Nem via usura St. Trophime
Nem via usura Saint Hilaire.


Usura oxida o cinzel
Ela enferruja o ofício e o artesão
Ela corrói o fio no tear
Ninguém aprende a tecer
ouro em seu modelo;
o azul é necrosado pela usura;
não se borda o carmesim
A esmeralda não acha
o seu Memling


A Usura mata o filho nas entranhas
Impede o jovem de fazer a corte
Levou paralisia ao leito, deita-se
entre a jovem noiva e seu noivo
...................contra naturam
Trouxeram meretrizes para Elêusis
Cadáveres dispostos no banquete às ordens da usura


N.B. Usura: Gravame por uso de poder aquisitivo, taxado sem considerar as possibilidades de produção; freqüentemente sem relação com as
possibilidades da produção.
(Daí a quebra do banco dos Médicis.)

Tradução de José Lino Grunewald

Ezra Paund
1885-1972

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Drinks




Drinks Curiosos


Os Drinks e Coquetéis, assim como a Gastronomia, são passaportes para conhecer vários países sem sair de casa. Assim como a Cozinha típica de cada região, as bebidas fazem uma leitura dos hábitos, costumes e cultura de cada povo. 
A palavra cocktail teria sua origem creditada a um  famoso "bom vivant",  Dr. Johnson, escritor inglês,  que teria comparado as usuais misturas de vinhos com destilados da época aos cavalos de raça indefinida, que no interior da Inglaterra tinham esse nome por terem os "rabos cortados".
Alguns Drinks curiosos e suas receitas originais:

Absinto

A "Musa Verde" inspirou a literatura de Hemingway e a pintura de Degas, Picasso e Toulouse-Lautrec. Acreditava-se ter qualidades afrodisíacas. Foi proibido na Suíça, sua pátria de origem e também na França, onde mais se propagou. Chegou a ser proibido em quase todos os países do mundo. Seu ingrediente ativo, a artemesia absinthum, poderia causar loucura e até mesmo a morte. O substituto original do Absinto, e também o mais famoso, é o Pernod, mas há também muitos outros produzidos pela infusão de ervas aromáticas como o anis, o alcaçuz ou a erva-doce. Na Espanha, esse substituto chama-se Ojen. Na inglaterra, Wormwood.

Coquetel "Absinto Dama da Noite"

1 1/2 dose de Pernod ou outro anis,
2 ou 3 gotas de licor de anissete,
2 ou 3 gotas de agua de flor de laranjeira
1 colherinha de creme de menta
1 clara de ovo
Misturar os ingredientes numa coqueteleira com algumas pedras de gelo e servir numa taça de coquetel.

Advocaat

A lenda que cerca suas origens diz que ele tem o poder de dissipar a timidez e dar o domínio da eloquência a quem o bebe, daí o nome relacionado aos advogados.  É um licor holandês feito com ovos.

Benédictine

O licor mais antigo do mundo, criado em 1510 pelos monges beneditinos. O mosteiro foi saqueado durante a revolução francesa e sua fórmula ficou desaparecida até 1863. Neste ano, foi parar nas mãos de Alexandre le Grand, que com ela alcançou sucesso e fortuna e construiu o palácio e o museu de arte  que hoje são atrações turísticas de Féccamp, cidadezinha litorãnea da Normandia, onde tudo começou.

Pisco

Palavra que significa pássaro no idioma quíchua, é também o nome de uma tribo do Peru. Essa tribo fazia ânforas, revestidas com cera de abelha, com as quais transportavam a bebida. Muito comum no Chile e na Bolívia. É feita à base de vinho moscatel e amadurecida por pouco tempo em vasilhas de barro.

Pulque

Drink dos Astecas, o pulque ainda é consumido no México. Obtido através da fermentacão do Mezcal, do qual também é feito a Tequila. O Mezcal é uma planta nativa da cidade de Tequila, nas montanhas de Sierra Madre, e é um tipo de babosa.

Tequila

O acompanhamento perfeito para a música de "los mariachis" ou a dança "Margaritas". Há um ritual que determina a ordem correta dos ingredientes: chupar um limão; tomar a Tequila de um só gole e lamber um tantinho de sal, colocado previamente nas costas da mão. Há ainda quem consiga mascar tabaco durante essa complicada operação.

Saké

Não é um vinho, ainda que seja definido como um vinho de arroz. Tecnicamente é uma cerveja, pois é um fermentado. Essa antiquíssima bebida japonesa deve ser servida quente,  mais precisamente, aquecida a uma temperatura de 40ºC. O calor faz com que o aroma da bebida se desprenda. Os japoneses aquecem o saquê em pequenas garrafas de cerâmica chamadas "tokkuri" numa panelinha de água  fervente, após, bebem-no em pequenos goles em copinhos de porcelana chamados "sakazuki". O "sakazuki" tem um pequeno orifício e enquanto se bebe, emite um leve som de apito.

Sambuca

Os italianos chamam-no drink de sambuca com moscas, referindo-se aos grãos de café que são flambados no prepara da bebida, que é um ritual muito interessante. Convém apagar as luzes. Coloca-se alguns poucos grãos de café num copo cheio desse licor e ateia-se fogo, deixando que as chamas dancem sobre o sambuca até torrar os grãos e liberar o sabor e o aroma.

Aquavit

A água que passarinho não bebe, seu teor alcoólico está entre 35% e 50%.  As primitivas tribos européias chamaram-na de "água da vida". A marca mais popular de Aquavit é a norueguesa Linie, que é curiosa pela tradição que envolve o nome e a forma com que é produzida: Linie vem de "linha" e é uma referência à linha do Equador. A bebida faz uma viagem de ida e volta, de navio, cruzando a linha do Equador duas vezes antes de ser vendida. Cada garrafa traz no rótulo o nome do navio em que viajou e a data da viagem.

Perrier

A água mais famosa do mundo é originária da França. Esta água mineral é naturamente gasosa e sua composição alcalina funciona muito bem como digestivo.

Coquetel "Aperitif Perrier"

1 1/2 dose de gim seco,
1 1/2 dose de vermute branco seco,
1/2 dose de grapefruit ou suco de limão,
casquinha de pepino e água mineral gasosa,
Coloque o gim, o vermute e o grapefuit numa coqueteleira com gelo e agite. Coe e sirva em copos "ballon" ou "collins", com algumas pedras de gelo, e complete com água mineral. Decore com a casquinha de pepino.

Apollinaris

O que a palavra Perrier significa para os franceses, Apollinaris é para os alemães. É uma água naturalmente gasosa, mas bem menos que a Perrier e também tem composição alcalina e rica em sais minerais.

Vichy Célestins

Outra água famosa, ligeiramente salgada, originária da cidade de Vichy, uma estação de águas francesa. As mulheres são bastante familiarizadas com o nome, visto que as águas de Vichy também são usadas na composição de muitos produtos de beleza franceses.

Coquetel "Blue Blazer"

Um coquetel um pouco difícil de fazer e até meio perigoso, mas espetácular!
1 colher de mel,
4 doses de whisky,
casquinha de limão ou noz-moscada em pó
Aqueça duas canecas de metal. Numa das canecas, dissolva o mel em 3 doses de água fervente. Coloque o whisky na outra caneca e flambe-o. Passe o Whisky em chamas de uma caneca para a outra, continuamente, formando uma corrente de fogo. Quando as chamas se apagarem,  despejar num copo de vinho aquecido. Decorar com o limão ou polvilhar com a noz-moscada.

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Mac OS X - Apple





O Mundo Mac OS X ( leia-se Mac OS "dez") da Apple, como proclamam todos os adoradores da Maçã, é realmente mágico! No entanto, apesar do Sistema ser altamente intuitivo, o iniciante encontra muitas dificuldades para usufruir de todos os seus recursos. A começar pelas informações disponíveis na Internet, escritas quase que exclusivamente em inglês. Os usuários latinos têm muito poucas opções em português, italiano ou espanhol. Se compramos o Mac com um sistema operacional "localizado", ele já está configurado para o idioma local, se não, um dos primeiros passos para entender melhor o "help", é configurar o Mac para o nosso idioma.

Configurando o idioma em português, no Mac OS X:

Para configurar o Sistema num outro idioma, abra o"Finder" e vá em "System Preferences". Como podes ver na figura

na linha "personal", há o ícone "international". Abra a guia "Language", escolha entre as quinze linguagens disponíveis e arraste-a para o topo dessa lista. Ainda na guia "linguage", também é possível  configurar as novas definições gramaticais, de acordo com a Língua escolhida, na opção "Behaviors"

Configurar data, hora e moeda:

Na guia "formats", escolha o modo como queres a data, hora, moeda e decimais.

Configurar o teclado no Mac OS X:

No "imput menu"  há opção de escolher o seu layout de teclado. Os experts são fãs do "dvorak", um arranjo científico do layout padrão. Eu uso "unicode", suporte multilinguagem. Ative também o "caracter pallet" e marque para mostrar o "imput menu" na barra de ferramentas. Um ícone de bandeirinha aparecerá. Com o "pallet" é possível visualizar todos os caracteres e símbolos ou inserí-los no texto. Ativando "keyboard viewer", poderá acompanhar sua própia digitação num teclado virtual  e descobrir onde se escondem todos os caracteres. Após ativar no "imput menu", abra o "keyboard viewer" no ícone da bandeirinha.

Após estes procedimentos, todos os menus, botões e caixas de diálogo estarão no novo idioma. E, após reinicializar o computador, o "Finder" também estará atualizado.

Se não conseguires acessar estas opções de linguagem, certifique-se que foi instalado em seu computador o kit de software dos idiomas adicionais. E, abaixo, ótimos softwares grátis para Mac OS X: Yahoo, com suporte a webcam; Burn, para copiar seus cds e dvds; Miro, para fazer download dos vídeos do youtube; NeoOficce, suíte semelhante ao Office, compatível com documentos Word; Mozilla Firefox; e ClamXav, anti virus para Mac totalmente grátis.


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Viagem a Minas Gerais

mapa Minas GeraisMinas Gerais tem sabor de História. A História do Brasil escrita por seus poetas e heróis, artistas e revolucionários. Guarda em suas ladeiras os passos de Aleijadinho, de Tiradentes, de Cláudio Manoel da Costa... Prende, ainda, em sua atmosfera, o perfume de Bárbara Heliodora... Ainda, sob a terra, as marcas digitais dos escravos mineiros e seus segredos do cíclo do ouro,  sussurrados pela águas que escorrem das Minas abandonadas...fugitivos das paredes douradas das suas Igrejas pintadas de ouro...ouro recolhido por eles, em perigo, para ornar sua devoção... E o Barroco magistral, hoje patrimônio da Humanidade, pelas mãos geniais de Antônio Francisco Lisboa (o Aleijadinho) ou de Manuel da Costa Ataíde...A poeira da Estrada Real nos leva , ainda, às mãos mágicas dos artesãos de Bichinho, Prados... Arte viva a retratar sua  história, sua gente, seus afazeres e, por isso, a tua história e também a minha. Embarque comigo neste trem e venha conhecer a Estrada Real: Ouro Preto, Congonhas, Tiradentes, São João Del Rei, Mariana, Amarantina...
Clique no mapa, para ampliar e copiar e Boa Viagem!

São João Del Rei

Hoje, acordei em São João Del Rei. Tenho o péssimo hábito de sair sem rumo - e sem reserva - mas tenho uma sorte incrível para encontrar bons lugares na última hora! O Hotel Ponte Real, bem localizado, de frente para a Ponte da Cadeia. A Ponte em arcos romanos sobre o córrego do Lenheiro, como podes ver na foto tirada da minha janela. No café da manhã, uma doce surpresa: o atendimento vip do Luciano cerca o hóspede de mimos...não dispense a canjiquinha..nem os biscoitos caseiros...nem as dicas do Luciano, anotadas com esmero para que não se perca nada do lugar!

Centro Histórico

Conferindo as dicas do Luciano, saí em peregrinação pelo Centro Histórico da "Capital dos Inconfidentes" ou também chamada "Comarca do Rio das Mortes". Visitei o museu da Arte Sacra e o museu Ferroviário. O solar da Baronesa, próximo ao Chafariz, e o solar dos Neves, onde nasceu Tancredo, presidente...a casa de Bárbara Heliodora, poetisa e musa de Alvarenga Peixoto, onde funciona o Museu Municipal... O casario da rua Santo Antônio  e o Beco do Cotovelo...

Igrejas e a Arte Barroca

A Igreja N S do Rosário tem o trabalho artístico de Luís Pinheiro de Sousa e a Igreja de N S do Carmo tem as suas fachadas assinadas por Francisco de Lima Cerqueira, esculturas de Joaquim de Assis Pereira e Manuel Rodrigues Coelho. Há também  um Cristo em madeira, de autor desconhecido, descoberto no forro da igreja por Heitor Costa, arquiteto autor do projeto do Cristo Redentor.

A Igreja de São Francisco de Assis teria sido projetada, inicialmente, por Aleijadinho e, após, por Francisco Lima Cerqueira. É uma obra-prima da arquitetura mineira. A escultura de São João Evangelista é atribuida a Aleijadinho. Na capela-mor o "Senhor de Monte Alverne": conta uma lenda que foi esculpido, aparentemente sem instrumentos e sem  barulho algum, por um peregrino. Senhor de barbas brancas e cheio de mistérios que desapareceu, como veio, após tê-lo concluído.

Fato também curioso é a tradição de alguns rituais , como  a "encomendação das almas", praticado em altas horas da noite, junto aos cemitérios.

Levarei de São João Del Rei, a visão de suas fachadas, de suas sacadas de ferro rendilhado e o artesanato de Miguel Santeiro...

Tiradentes

A rivalidade entre as duas cidades é por conta da reivindicação do berço do inconfidente José Joaquiim da Silva Xavier. Nascido na fazenda do Pombal, área que pertencia a São João Del Rei, mas que foi transferida para Tiradentes. Dizem, ali, que o mártir era filho de fazendeiros, irmão de padre e capitão.Junto com São João Del Rei, Tiradentes faz parte do Arraial do Rio das Mortes, e foi palco também da guerra dos Emboabas. Emboabas: outros - que não os pioneiros, paulistas da capital - que viessem se aventurar na busca do ouro, eram chamados de emboabas...

Berço do Inconfidente Padre Toledo, que cedia sua própia casa para as reuniões secretas do movimento, hoje Museu da Fundação Rodrigo de Melo Franco Andrade. Também nasceram aqui o Marquês de Maricá e o poeta Basílio da Gama, autor de Uraguai. E o músico João Feliciano da Mata que, segundo Olinto Rodrigues, recusou uma bolsa de estudos na Itália,que lhe foi obtida pelo compositor Carlos Gomes.

Tiradentes, ao pé da serra de São José, pode ser explorada de charrete. O passeio de charrete me deixou "um caco", devido às pedras irregulares, conhecidas aqui em Minas por "pé-de-moleque", mas valeu o passeio! O Fábio vai conduzindo e indicando os pontos turísticos... e até tirando  fotos...

A Igreja de Ouro e o Relógio de Sol

A Igreja Matriz de Santo Antônio, no alto da colina, é um dos símbolos de Tiradentes, ao lado do relógio de sol. Há, no seu interior, um órgão vindo de Portugal. É muito rica em ouro. A Igreja de N S do Rosário tem o teto da capela-mor pintado em perspectiva.

Almocei no "Estalagem do Sabor" um "Mané sem Jaleco": misto de arroz, feijão, couve e toucinho. O prato "Abóbora Real", recheada com carne seca e acompanhada de Taioba, tem que pedir de um dia para outro. Em Tiradentes, a via gastronômica começa a partir de quinta! Fome!

Artesanato Mineiro e casas de Adobe

O artesanato de Bichinho, assim como de todo Prados, é constituido de imagens sacras esculpidas em cedro e outras criações em madeira, ferro de construção,  estanho, resina, gesso, argila ...ou lata, plástico, palha de milho e  esponja vegetal.  A criatiidade no aproveitamento de materias é impressionante. Destacam-se a Oficina de Agosto, a Divina Arte, a de Naninho ...  mas há mais, muito mais...

Em Prados, conheci o artesanato dos irmãos Andrade: Fernando e Irineu, com suas esculturas em madeira e imagens sacras...também a loja do Eurico, do Julião...

Distrito de Prados, Bichinho, cujo nome oficial é Vitoriano Veloso, fica a sete quilômetros de Tiradentes e vive exclusivamente do artesanato. Suas casas são também artesanais, com  paredes eregidas em adobe - barro não cozido, misturado a fibras de capim, cortado em blocos e secado ao sol. As casas, dizem, eram construídas sem janelas, para proteger as filhas solteiras. O Adobe é isolante térmico e acústico...

Na Estrada Real, um Museu do Automóvel

Almocei no "Pau de Angu", em Bichinho, uma "lingüiça" que foi mencionada até no "Quatro Rodas" mas, bom mesmo, é o doce de laranja da Dona Leo.

Do "Pau de Angu", trouxe esse causo mineiro:

Causo mineiro:
"Sapassado, era séssetembro, taveu na cuzinha tomano uma pincumel e cuzinhano um kidicarne com mastumate pra fazê uma macarronada com galinhassada. Quascai disus, quando uvi um barui vino de denduforno, pareceno um tidiguerra. A receita mandopô midipipoca denda galinha prassá.
O forno isquentô, o mistorô e a galinha ispludiu!Nossinhora! Fiquei branco quineim um lidileite. Foi um trem doidim, uai! Quascai dendapia! Fiquei sensabê doncovim, proncovô, oncotô. Oi procevê quelucura! Graza Deus ninguém simaxucô!"

Congonhas e a Arte de Aleijadinho

Do alto da colina, os Profetas de Aleijadinho derramam bençãos à cidade, mas há quem diga que eles conspiram. Na Basílica, uma obra genial, criada pelas mãos de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Aqui, o gênio do barroco brasileiro despediu-se da arte e da própia vida, pois conclui a obra apenas 9 anos antes de sua morte. O conjunto integra os doze profetas; as Capelas dos Pssos, com as imagens da Via-sacra; e a Basílica do Bom Jesus de Matosinhos. Sobre os Profetas, pesquisadores de História da Arte da PUC de Campinas suscitam a tese de que Aleijadinho quis figurar em cada Profeta um participante da Inconfidência Mineira, fundada nas diferenças nas indumentárias, nos gestos e sinais das esculturas. Há, também, outra curiosidade com referência à escolha dos profetas: Aleijadinho não teria representado um dos doze profetas menores, um dos mais importantes,  Zacarias, mas teria representado junto a outros profetas menores, cinco profetas maiores, mesclando Novo e Velho Testamento..  Eis os Profetas de Aleijadinho: Daniel, Oséias, Isaias, Jeremias, Baruc, Ezequiel, Jonas, Joel, Amós, Nahum, Abdias e Habacuc.

Os Profetas de Antônio Francisco Lisboa

No Passo da Crucificaão, além das impressionantes emoções perpassadas pelas figuras como a expressão de  fingimento  no Judas; há um genial efeito de perspectiva.

No Passo da Ceia, foi usado um artifício revolucionário para a época: quase todas as imagens têm as costas ocas, mas sugerem a ilusão de star inteiras, assim como a toalha da mesa disfarça a falta das pernas.

Comida Típica da Cozinha Mineira

Na capital do rocambole, Lagoa Vermelha, a melhor comida mineira, na minha opinião. O "Figueira do Imperador", além do ótimo rocambole, típico da região, oferece essa comidinha aí, em panela de pedra, cozida no fogão à lenha, no qual a gente se serve à vontade. O preço, menos de dez reais e o rocambole inteiro, para levar para casa, é dez. E a simpatia do Marcão, não tem preço! A figueira, onde o Imperador descansava com sua tropa, está lá...

Parada do Pastel de Angu do Jeca Tatu

Não saia de Minas sem provar o pastel de angú do "Jeca Tatu". Mistura de poesia e discos de vinil, o lugar é surreal. Pombas arrulham, de cima de  quadros coloridos; perus e galináceos te dão as boas-vindas e o pastel do Jeca, de angú e carne-seca, além de inusitado, é divino! E custa menos de dois reais... na parada do Pastel de Angu...onde fica isso? pertim...pertim de Ouro Preto...em Itabirito.

Receita de Pastel de Angu

Pastel de Angu -
igredientes:
1 kg de fubá; 1,5 litro de água; 1 xícara de farinha de trigo; sal a gosto.
Misturar o fubá e a farinha de trigo; colocar a água aos poucos e levar a mistura para cozinhar em fogo alto; temperar com o sal; retirar do fogo e aguardar esfriar;
Untar as mãos com margarina e trabalhar a massa, bem fina, para os pastéis;
Rechear com refogado de carne-seca, palmito  ou outro de seu agrado.
Esta receita é típica da cidade de Itabirito, MG.

Ouro Preto

Ouro Preto é Patrimônio da Humanidade e, para prestigiar essa honraria, nada melhor que começar por seu circuito de Museus...

Museus de Ouro Preto

O Museu da Inconfidência (foto) é o paraíso dos pesquisadores, com o grande acervo do Arquivo Colonial, mais de 40 mil documentos e a uma Biblioteca com mais de 19 mil volumes. Tem também o Laboratório de Conservação e Restauração, com ateliês de pintura, escultura, madeira e papel. Além de Exposições e, claro, as divinas esculturas de Aleijadinho. Para construí-lo, o governador Cunha Meneses, "o fanfarrão Minésio", teria mandado prender pessoas pobres "por vadiagem" e escravos fugidos, obrigando esses ao trabalho escravo. O prédio é uma obra-prima da arquitetura colonial. De terça a domingo, das 12h às 18h. No Centro Histórico.

O Museu Aleijadinho, homenagem ao "Patrono da Arte no Brasil", Antônio Francisco Lisboa, nascido em Ouro Preto. Exposição permanente do acervo. De terça a domingo, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 17h. No Bairro Antônio Dias.

O Museu Casa Guignard abriga as obras de um dos maiores pintores e desenhistas brasileiros. De terça a domingo, das 12h às 18h. No Centro Histórico.

O Museu da Casa dos Contos foi sede da "Administração e Contabilidade Pública da Capitania de Minas Gerais", daí o nome "Casa dos Contos". Serviu de prisão de Inconfidentes, em 1789. Em seu acervo, numismática da Casa da Moeda do Brasil e documentação do Centro de Estudo do Ciclo do Ouro. N segunda, das 14h às 18h; de terça a sábado, das 10h às 18h; domingo e feriado, das 10h às 16h. No Centro Histórico.

Ainda no Centro Histórico, na Praça Tiradentes, o Museu de Ciência e Técnica da Escola de Minas. E o Museu do Oratório, junto à Igreja Nossa Senhora Do Carmo, com um acervo significativo dessa arte.

Em Amarantina (25 km), o Museu das Reduções. Obras dos Irmãos Ênnio, Décio, Evangelina e Sylvia. Os irmãos Vilhena reproduziram em escala reduzida e usando os mesmos tipos de materiais das edificações originais, 25 réplicas de monumentos de  vários Estados do Brasil. Entre eles, a réplica da Igreja São Francisco de Assis da Pampulha (MG); a Matriz de N S da Conceição de Viamão (RS); a Estação Ferroviária de Joinville (SC); a Casa dos Contos e outras...

Mina do Ciclo do Ouro

As Minas que fazem parte do Ciclo do Ouro, guardam ainda em seus interiores, o brilho de uma época de fastígio e opulência. Hoje, a água que escorre de seu veios é tida como uma poção de beleza e é canalizada para grandes piscinões públicos...enfim, o ouro é do povo...

A Noite de Ouro Preto oferece muitas opções. Muitos lugares interessantes, freqüentados por turistas de várias partes do mundo e um público formado principalmente por artistas... Estou no  "Calabouço"... Prendam-me aqui para sempre...não quero outra vida...

A Noite de Ouro Preto - Calabouço

Poesia de Manuel Bandeira sobre Ouro Preto...

Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo
Mas Ouro Preto não é só o
Palácio dos Governadores,
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os Templos,
Os Chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Aguentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto






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Pintura




Pintura em tela


Pintando uma Paisagem:
Passo a passo em vídeo de como pintar uma paisagem em óleo sobre tela, mas antes, algumas pinceladas sobre a técnica de pintura a óleo: materiais básicos como pincéis, telas, solventes, aglutinantes, tintas e cores...
O que vamos precisar: tela, pincéis, tintas, solvente, aglutinante, paleta para misturar as tintas, carvão para o esboço do desenho na tela.
e mãos à obra!

Tela:

Em geral, o linho, o algodão e a juta são os suportes mais usados para a pintura a óleo. No entanto, o suporte fica a critério da criatividade e experiência do artista. Até o século XV, quando as telas começaram a ser usadas,  muitas obras primas foram executadas em suporte de madeira. A madeira é, ainda, o melhor suporte para a  têmpera. Pode-se obter bom resultado com papelão, MDF, lonas.

Pincéis e Espátulas:

Os Pincéis podem ser feitos de pêlo de marta, porco ou cerdas sintéticas. Os de marta são ideais para pinturas mais delicadas. A escolha da forma e espessura do pincel depende do que se quer pintar. O pincel chato ou retangular é usado para pinceladas amplas. Os redondos, de ponta fina, para pinceladas mais precisas. Para a pintura da grama de uma paisagem, por exemplo, pode-se usar o pincel em forma de leque, de baixo para cima, com pinceladas rápidas e firmes. Para acrescentar alguns capins à nossa paisagem, podemos usar o pincel em forma de filete. Há no mercado pincéis especiais como o "deerfoot" que facilita a textura de árvore, por exemplo. De acordo com o tamanho da superfície a ser pintada, temos uma gama de pincéis de tamanhos variados. A maioria dos fabricantes produz 12 de cada série, de 00 a 12 em ordem crescente de tamanho. Áreas grandes, com poucos detalhes, pedem pincéis maiores e linhas mais finas e detalhes exigem pincéis menores.

Óleos e Solventes:

No processo industrial, os pigmentos triturados são aglutinados pela ação de um produto oleoso. Adicionando óleo e solvente de maneira adequada, podemos modificar as características básicas das tintas. Como, em geral, o óleo usado pelos fabricantes é o de papoula ou linhaça, estes vêm a ser os melhores solventes. As proporções adicionadas influenciam  a espessura da tinta, o seu brilho e tempo de secagem. O óleo de linhaça é o mais usado, normalmente na proporcão de meio a meio para uma mistura equilibrada, tem secagem lenta e uniforme. O óleo de papoula tem menor risco de a pintura amarelecer com o tempo.

Tintas:

A maioria dos fabricantes usa códigos para identificar a durabilidade de cada cor, isto é, sua resistência à luz. Os símbolos ***** ou AA para as que são extremamente duráveis, *** ou A para as cores duráveis ou permanentes,  ** ou B para as cores de durabilidade mediana e * ou C  para as cores efêmeras, isto é, que desbotam com o tempo.

Quanto à transparência, algumas cores como o verde-terra e o carmim-alizarin possuem mais óleo na sua composição e tendem a ser mais transparentes, de secagem mais demorada, também devido a isso. As cores como o amarelo-ocre são semi-opacas e o branco tem alta opacidade devido a menor adição de óleo. De forma geral, as cores AA são adequadas para uso normal. As cores B e C devem ser evitadas, pois podem desbotar com rapidez. Exemplos: A - amarelo-nápoles, amarelo-limão, amarelo cádmio, vermelho-cádmio, rosa-permanente; AA - violeta-cobalto, azul-cobalto, amarelo-ocre, verde-cobalto, cinza-payne, negro-de-fumo; B e C - marrom-vandyke, verde-cinnabar, laca-gerânio, carmim.

Vídeos:



clique aqi para assistir o vídeo do passo-a-passo 1 - pintando rosas

clique aqi para assistir o vídeo do passo-a-passo 2 - pintando rosas

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Poesia





Apparício Silva Rillo

Quando a garoa do inverno
me atropela pro galpão,
chego a chaleira ao tição,
corto um crioulo a preceito,
e abrindo as varas do peito
me ponho, triste, a cismar.
E logo vejo apontar
- furando a garoa mansa -
a tropilha da lembrança
que eu nunca pude amansar.

É balda de quem é velho
viver jungido ao passado:
- como um boi magro e cansado
sofrendo ao peso da canga,
mas que paciente e sem zanga
vai mascando a malagueta
que é o carreteiro sotreta
que não lhe afrouxa o serviço.
E o boi velho, nem por isso
deixa de amar a carreta.

Por mais que tenha sofrido
sempre um velho ama o passado.
Como um matungo estropiado
que já não dá mais rodeio,
que gastou no aço do freio
seu derradeiro colmilho;
que nunca conheceu milho,
nunca passou do capim.
E o matungo, mesmo assim,
tem saudade do lombilho.

Mesmo com marcas no couro
de algum puaço mais forte,
mesmo sabendo que a sorte
lhe foi ventena e mesquinha,
um velho quando se aninha
no achego dos pensamentos,
disfarça esses maus momentos
nalguma fresta do peito,
como um remendo bem feito
que se tapeia nos tentos.

Esta verdade é sabida
dos chirus mais veteranos:
- que no rebolo dos anos
mesmo as horas mais funestas
vão embotando as arestas,
tomando um novo feitio.
E acaba sempre sem fio
o punhal dos desenganos
porque o rebolo dos anos
gira sempre de arrepio...

 

Causo do Rapa de Tacho:


Corria no foro de Guaíba um processo de injúria e difamação envolvendo como partes duas vizinhas. Uma, claro, falara mal da outra, subiu o grau da fervura e o caso, finalmente, viera á casa da justiça  - a ceguinha que todos conhecemos.
Era patrono da ré o bacharel José Godoy Ilha, hoje falecido. Arrolou para a defesa um mulato bem falante que tinha a mania de falar difícil e, sempre que possível, em versos mais ou menos rimados.
Chegou o dia da audiência. Arroladas as testemunhas da acusação e tomados a termo seus depoimentos, chega a vez das de defesa. Entre elas, o mulato, impecável num traje de brim listrado.
Nome, idade, profissão, jura falar apenas a verdade?
- Conhece a senhora Fulana de Tal?
- Tanto quanto a mim própio, Reverência.
- Sabe alguma coisa a seu desabono?
- Esta palavra, Reverência, não integra a minha antologia.
- Está bem. Sejamos mais claros: ela é honesta?
- Honesta? Na testa...
- Quer dizer o quê, com isto?
- Honesta só na testa, porque por baixo já foi tudo à festa! 

 
Nota: Apparício Silva Rillo (1931-1995), é o "Poeta do Tempo", nas palavras da professora Zilá Delavy. Nasceu em Porto Alegre, capital gaúcha, mas viveu a maior parte de seu tempo em São Borja. Esta poesia " Cismas de Velho" é do livro "Cantigas do Tempo Velho" e o causo, também dele, é do "Rapa de Tacho 3".  Também  compõem a sua Obra, "Viola de Canto Largo", "Caminhos de Viramundo",  "Pago Vago", " Doze Mil Rapaduras"  e a Trilogia "Rapa de Tacho".


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Poesia






Luiz Coronel - Noturno de Porto Alegre


Posto que a um reino estenderás teus vínculos,
assim bem menor há de se tornar tua orfandade.
De minha parte eu me declaro súdito e consagrado
ao claro esplendor de minha cidade.

Mas também à tua noite eu me tenho afeito,
mesmo aquelas em que a mais densa neblina
esparge melancolias sobre os telhados
e o frio deita nas taças o sabor dos vinhos.

Às vezes, altas horas, do topo de teus edifícios,
eu te contemplo, cidade. És uma constelação.
E cada vida é uma estrela que tu mesma acendes.
E por ti arde qual uma galáxia de luminosa paixão.

Ao regressar ao “Porto dos Dornelles” eu estendo
as mais sinceras escusas por involuntária ausência.
Mas, de mim, esta cidade não se faz distante –
de tal forma, sua imagem, em meu coração, se faz presença.

Ó cidade, bem não te conhece quem um dia não tenha
se entregue aos teus braços de rio de margens perfumadas.
Breve, eu sei, tenho certeza, muros e anteparos tombarão
e “Porto dos Casais” e o rio serão uma verdade única e entrelaçada.

Mas quais virtudes, além de tua beleza, te fazem assim
amada e envolvente? Teu pôr-do-sol, quase miragem?
Ó cidade, teu destino é ser berço de solidários sonhos,
a contemplar o tempo com um grave compromisso de coragem.

Bem sei, minha cidade, o quanto a vida é breve.
Mas também aprendi quanto de amor ela nos concede.
À cada dia que compor meu tempo, eu agradeço
a indizível graça de viver sob os céus de Porto Alegre.



Nota: O poeta nasceu em Bagé, no Rio Grande do Sul, passando a residir, mais tarde, em Porto Alegre, capital. A Poesia "Noturno de Porto Alegre" foi apresentada na Semana de Porto Alegre e o causo "Amores Risiveis" e do livro "O Cachorro Azul". Outras Obras: "Buçal de Prata", "Poemas Azuis", "Os Retirantes do Sul", "Saturnino desce ao Pampa", "O Dia da Inauguração do Mundo" , "Os Cavalos do Tempo", "Lunarejo" "O Cavalo Verde", "O Gato Escarlate", "Mundaréu".


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Poesia





Fernando Pessoa - Tabacaria


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens.
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu ,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo.
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando.
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num paço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena; Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
0 dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho, Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra, Sempre uma coisa tão inútil como a outra ,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz).
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou á janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da tabacaria sorriu.

Fernando Pessoa (1888-1935), Portugal
in "Obra Poética", heterônimo Álvaro de Campos



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Poesia





Cabral de Melo Neto - O Cão sem Plumas

I. Paisagem do Capibaribe

A cidade é passada pelo rio como uma rua é passada por um cachorro; uma fruta por uma espada.

O rio ora lembrava a língua mansa de um cão, ora o ventre triste de um cão, ora o outro rio de aquoso pano sujo dos olhos de um cão.

Aquele rio era como um cão sem plumas. Nada sabia da chuva azul, da fonte cor-de-rosa, da água do copo de água, da água de cântaro, dos peixes de água, da brisa na água.

Sabia dos caranguejos de lodo e ferrugem. Sabia da lama como de uma mucosa. Devia saber dos polvos. Sabia seguramente da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio jamais se abre aos peixes, ao brilho, à inquietação de faca que há nos peixes. Jamais se abre em peixes.

Abre-se em flores pobres e negras como negros. Abre-se numa flora suja e mais mendiga como são os mendigos negros. Abre-se em mangues de folhas duras e crespos como um negro.

Liso como o ventre de uma cadela fecunda, o rio cresce sem nunca explodir. Tem, o rio, um parto fluente e invertebrado como o de uma cadela.

E jamais o vi ferver (como ferve o pão que fermenta). Em silêncio, o rio carrega sua fecundidade pobre, grávido de terra negra.

Em silêncio se dá: em capas de terra negra, em botinas ou luvas de terra negra para o pé ou a mão que mergulha.

Como às vezes passa com os cães, parecia o rio estagnar-se. Suas águas fluíam então mais densas e mornas; fluíam com as ondas densas e mornas de uma cobra.

Ele tinha algo, então, da estagnação de um louco. Algo da estagnação do hospital, da penitenciária, dos asilos, da vida suja e abafada (de roupa suja e abafada) por onde se veio arrastando.

Algo da estagnação dos palácios cariados, comidos de mofo e erva-de-passarinho. Algo da estagnação das árvores obesas pingando os mil açúcares das salas de jantar pernambucanas, por onde se veio arrastando.

(É nelas, mas de costas para o rio, que "as grandes famílias espirituais" da cidade chocam os ovos gordos de sua prosa. Na paz redonda das cozinhas, ei-las a revolver viciosamente seus caldeirões de preguiça viscosa).

Seria a água daquele rio fruta de alguma árvore? Por que parecia aquela uma água madura? Por que sobre ela, sempre, como que iam pousar moscas?

Aquele rio saltou alegre em alguma parte? Foi canção ou fonte Em alguma parte? Por que então seus olhos vinham pintados de azul nos mapas?

II. Paisagem do Capibaribe

Entre a paisagem o rio fluía como uma espada de líquido espesso. Como um cão humilde e espesso.

Entre a paisagem (fluía) de homens plantados na lama; de casas de lama plantadas em ilhas coaguladas na lama; paisagem de anfíbios de lama e lama.

Como o rio aqueles homens são como cães sem plumas (um cão sem plumas é mais que um cão saqueado; é mais que um cão assassinado.

Um cão sem plumas é quando uma árvore sem voz. É quando de um pássaro suas raízes no ar. É quando a alguma coisa roem tão fundo até o que não tem).

O rio sabia daqueles homens sem plumas. Sabia de suas barbas expostas, de seu doloroso cabelo de camarão e estopa.

Ele sabia também dos grandes galpões da beira dos cais (onde tudo é uma imensa porta sem portas) escancarados aos horizontes que cheiram a gasolina.

E sabia da magra cidade de rolha, onde homens ossudos, onde pontes, sobrados ossudos (vão todos vestidos de brim) secam até sua mais funda caliça.

Mas ele conhecia melhor os homens sem pluma. Estes secam ainda mais além de sua caliça extrema; ainda mais além de sua palha; mais além da palha de seu chapéu; mais além até da camisa que não têm; muito mais além do nome mesmo escrito na folha do papel mais seco.

Porque é na água do rio que eles se perdem (lentamente e sem dente). Ali se perdem (como uma agulha não se perde). Ali se perdem (como um relógio não se quebra).

Ali se perdem como um espelho não se quebra. Ali se perdem como se perde a água derramada: sem o dente seco com que de repente num homem se rompe o fio de homem.

Na água do rio, lentamente, se vão perdendo em lama; numa lama que pouco a pouco também não pode falar: que pouco a pouco ganha os gestos defuntos da lama; o sangue de goma, o olho paralítico da lama.

Na paisagem do rio difícil é saber onde começa o rio; onde a lama começa do rio; onde a terra começa da lama; onde o homem, onde a pele começa da lama; onde começa o homem naquele homem.

Difícil é saber se aquele homem já não está mais aquém do homem; mais aquém do homem ao menos capaz de roer os ossos do ofício; capaz de sangrar na praça; capaz de gritar se a moenda lhe mastiga o braço; capaz de ter a vida mastigada e não apenas dissolvida (naquela água macia que amolece seus ossos como amoleceu as pedras).

III. Fábula do Capibaribe

A cidade é fecundada por aquela espada que se derrama, por aquela úmida gengiva de espada.

No extremo do rio o mar se estendia, como camisa ou lençol, sobre seus esqueletos de areia lavada.

(Como o rio era um cachorro, o mar podia ser uma bandeira azul e branca desdobrada no extremo do curso — ou do mastro — do rio.

Uma bandeira que tivesse dentes: que o mar está sempre com seus dentes e seu sabão roendo suas praias.

Uma bandeira que tivesse dentes: como um poeta puro polindo esqueletos, como um roedor puro, um polícia puro elaborando esqueletos, o mar, com afã, está sempre outra vez lavando seu puro esqueleto de areia.

O mar e seu incenso, o mar e seus ácidos, o mar e a boca de seus ácidos, o mar e seu estômago que come e se come, o mar e sua carne vidrada, de estátua, seu silêncio, alcançado à custa de sempre dizer a mesma coisa, o mar e seu tão puro professor de geometria).

O rio teme aquele mar como um cachorro teme uma porta entretanto aberta, como um mendigo, a igreja aparentemente aberta.

Primeiro, o mar devolve o rio. Fecha o mar ao rio seus brancos lençóis. O mar se fecha a tudo o que no rio são flores de terra, imagem de cão ou mendigo.

Depois, o mar invade o rio. Quer o mar destruir no rio suas flores de terra inchada, tudo o que nessa terra pode crescer e explodir, como uma ilha, uma fruta.

Mas antes de ir ao mar o rio se detém em mangues de água parada. Junta-se o rio a outros rios numa laguna, em pântanos onde, fria, a vida ferve.

Junta-se o rio a outros rios. Juntos, todos os rios preparam sua luta de água parada, sua luta de fruta parada.

(Como o rio era um cachorro, como o mar era uma bandeira, aqueles mangues são uma enorme fruta:

A mesma máquina paciente e útil de uma fruta; a mesma força invencível e anônima de uma fruta — trabalhando ainda seu açúcar depois de cortada —.

Como gota a gota até o açúcar, gota a gota até as coroas de terra; como gota a gota até uma nova planta, gota a gota até as ilhas súbitas aflorando alegres).

IV. Discurso do Capibaribe

Aquele rio está na memória como um cão vivo dentro de uma sala. Como um cão vivo dentro de um bolso. Como um cão vivo debaixo dos lençóis, debaixo da camisa, da pele.

Um cão, porque vive, é agudo. O que vive não entorpece. O que vive fere. O homem, porque vive, choca com o que vive. Viver é ir entre o que vive.

O que vive incomoda de vida o silêncio, o sono, o corpo que sonhou cortar-se roupas de nuvens. O que vive choca, tem dentes, arestas, é espesso. O que vive é espesso como um cão, um homem, como aquele rio.

Como todo o real é espesso. Aquele rio é espesso e real. Como uma maçã é espessa. Como um cachorro é mais espesso do que uma maçã. Como é mais espesso o sangue do cachorro do que o próprio cachorro. Como é mais espesso um homem do que o sangue de um cachorro. Como é muito mais espesso o sangue de um homem do que o sonho de um homem.

Espesso como uma maçã é espessa. Como uma maçã é muito mais espessa se um homem a come do que se um homem a vê. Como é ainda mais espessa se a fome a come. Como é ainda muito mais espessa se não a pode comer a fome que a vê.

Aquele rio é espesso como o real mais espesso. Espesso por sua paisagem espessa, onde a fome estende seus batalhões de secretas e íntimas formigas.

E espesso por sua fábula espessa; pelo fluir de suas geléias de terra; ao parir suas ilhas negras de terra.

Porque é muito mais espessa a vida que se desdobra em mais vida, como uma fruta é mais espessa que sua flor; como a árvore é mais espessa que sua semente; como a flor é mais espessa que sua árvore, etc. etc.

Espesso, porque é mais espessa a vida que se luta cada dia, o dia que se adquire cada dia (como uma ave que vai cada segundo conquistando seu vôo).

João Cabral de Melo Neto (1920-1999), Recife/PE/Brasil
in "O Cão sem Plumas"


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Arte




Arte Naif Brasileira


A Arte Naif ou Naive, também conhecida como arte primitiva ou ingênua, nasceu de uma arte pura. Puramente popular... Extraindo suas cores vibrantes do folclore e dos festejos de seu povo, estendendo seus tapetes de fé sobre a tela, imprimindo a sua cultura ou reinterpretando sua história. De muitas nuances, no Brasil, vai traduzir-se na sutileza do azul de um  Cristo Redentor de Cardosinho, ou incorporar-se da energia das cores fortes e contrastantes de Jose Antonio da Silva. Vai pincelar o cotidiano carioca de Heitor dos Prazeres, ou ilustrar os folguedos dos Gerais, pelas mãos hábeis de Antonio Poteiro, Edivaldo, Alba Cavalcanti, Cassemiro, Sonia Furtado, Dila, Rosina. E Ivonaldo e Isabel. Iaponi, Helenos, Chico da Silva, Silvia e outros tantos que, pelo pecado do desconhecimento não citei aqui, mas que escrevem as páginas da nossa História da Arte. E a vida passa, colorida, em suas telas! Veja aqui alguns de seus principais representantes...

Arte Naif de Cardosinho - (1861-1947):

Biografia: Nasceu José Bernardo Cardoso Júnior, em Coimbra, Portugal. Veio para o Brasil com 3 anos de idade. Mudou-se, mais tarde, para Roma, e só retornou em 1877. Foi encorajado a expor por seu contemporâneo famoso, Cândido Portinari.Participou da "Modern Brazilian Painter", Londres, 1944; e também foi convidado pelo Museu de Arte Moderna de Nova York, que adquiriu algumas dessas obras e mantém em sua coleão. Pintava inspirado em cartões postais. Uma de suas pinturas mais famosas é o "Cristo Redentor".

Arte Naif de Heitor dos Prazeres - (1898-1966):

Biografia: Nasceuno Rio de Janeiro, um dos primeiros pintores de arte naif do Brasil. Era funcionário público e compositor de música popular. Participou da "Primeira Bienal Internacional de São Paulo" de 1951, onde obteve uma de suas primeiras premiações, e também nos anos de 1953 e 1961; "Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro", 1961; "Arte Moderna no Brasil" (Buenos Aires, Santiago, Lima), 1965; "8Brazilian Naive Painters", Paris, 1965; "Brazilian Primitive Painters", Europa, 1966;"Current Brazilian Art" (Royal College, Londres e Viena), 1965; "1St World Festival of Nego Art" (Dacar, Senegal), 1966

Arte Naif de Paulo Pedro Leal - (1894-1968):

Biografia:Nasceu no Rio de Janeiro.Auto-didata, antes de se dedicar à pintura, exerceu várias atividades, entre elas a de auxiliar doméstico. Seu trabalho foi descoberto nas ruas do Rio de Janeiro pelo "marchand" Jean Boghici, que lhe propôs pintar em óleo sobre tela. Participou de exposição na "Petite Galerie", 1955; "Salão de Arte Moderna", 1961; "8Brazilian Naive Painters", Paris, 1965; "Brazilian Primitive Painters", Europa, 1966; "Artistas Brasileiros Contemporâneos", Buenos Aires, 1966.

Arte Naif de Paulina Laks Eizirik - (1921- ):

Nasceu em Varsóvia, Polônia. Veio para o Brasil no ano de 1931, fixando residência em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. As cores puras de seus quadros retratam os folguedos, as cenas de imigrantes. Auto-didata. Exposição Individual no Museu de Arte Naif do Brasil, em 1977.

Arte Naif de Madeleine Colaço - (1907- ):

Nasceu em Tangiers, México. Veio para o  Brazil em  1940. Madeleine  é conhecida internacionalmente pela arte de Tapeçaria e pelo "brazilian stitch", ponto de bordado criado por ela e denominado "samba", e "batisado" por Marie Cutolie de "brazilian stitch" (ponto brasileiro). Seu trabalho está presente em várias galerias da Europa e EUA.

Arte Naif de Grauben Bomilcar - (1889-1972):

Nasceu em Crato, Ceará. Começou a pintar aos setenta anos de idade. O Governo Brasileiro presenteou a rainha Elizabeth II da Inglaterra com uma obra do artista, na década de 60. Participou da 7ª e 8ªa "Bienal Internacional de São Paulo"; 2ªa "Bienal Americana de Córdoba", 1964; "8Brazilian Naive Painters", Paris, 1965; ainda em coletivas de Moscou e Varsóvia, além de exposições individuais no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e Galeria do Copacabana Palace.

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Poesia da Gata





Doravante Dora


Na noite escura
A luz é Dora
Dourada Dora
Mulher não és
Rabit, Dora?
Entre os sinais
Sinaliza Dora
Entre os espelhos
Já é Senhora
Sem mãe, sem pai
Sem história
Simplesmente Dora
Dourando ao sol
Dura luz
De Dezembro
É Dora
Café pequeno
No Café Concerto
Entre borboletas
Mariposa é Dora
DuraDoura
Contra a luz
No chafariz
Moeda morta
Meretriz
Menina insiste
Do fundo do fosso
Canção blue
Tema livre
Dora em declive
Teto Escarro Vão
Na noite escura
Luz difusa
Mariposa descontinua
Alguém chora
No beco escorre
Para sempre, Dora... 

sandra santos



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Concurso de Contos da Gata






Em comemoração ao aniversário de primeiro ano, a Gata entrega o Blog a estes talentosos leitores, ganhadores do Concurso de Contos, e vai dar um passeio por outros telhados.  Boa leitura e até breve!

O 1° lugar levou a coleção do mestre Fellini (4dvds) com os filmes: "A Doce Vida" (1960), "Julieta dos Espiritos" (1965), "Abismo de um Sonho" (1952) e "Nino Rota, entre o cinema e o Erudito" (2000).



Cortejo Negro - Diego Müller

Os troncos secos da mata há muito morreram. Névoa grossa cegava além do estreito caminho que cruzava o lugar. O açude secara naquele tempo de pouca chuva. Tinha eu poucos anos. O balde cheio de água embarrada mal dava para beber. Hoje nem parece estreito d’água, e sim campo seco.
O caminho era lento praqueles todos. Todos negros, se arrastando num bolo de negrura em movimento. Bandeiras negras, camisas negras. Cheiro de morte e tristeza. Aroma de incenso velho. Folha queimada, ressecada ao mormaço de chuvarada, quase apodrecida.
O compasso de marcha: tum, tum, tum de tambor. Breve choro e soluço. A carroça, nova ou pouco usada, mal rangia. O cavalo, velho e desinteressado, ia por que ia. Pouco importa o defunto. O chão, carbonizado, tudo pintava de negro. Eu observava tudo, num aspecto de mineiro, maquiado para os túneis - camuflagem de curioso.
Todos em fila: ia o padre, grande homem negro, o carro, novo e negro, a viúva, jovem negra, as filhas, pequenas flores negras, os outros, todos negros, e alguns, nem sei bem, negros. Negros? Eu também.
Os poucos troncos ainda em pé desmoronavam com o tempo. Primeiro a casca, que firmava o oco pilar de mato morto. Depois o resto, que era o todo pois nada havia além do tronco. Eu era o tempo. Minha mão raspava a superfície, as unhas cravavam no caule, derrubando pequenos fragmentos podres. Esfarelava o tronco. Era tão fatal quanto o fogo que queimara tudo. Mato negro, açude seco. Isso quando tinha poucos anos. Nem conhecia ela e ela não me conhecia. Pelo menos acho eu. Mas todos eram próximos, só não se falavam. Não havia interesse algum em se chegar. Só se fosse para aumentar o pátio de casa. E assim foi. Lembro que era uma tal de Madissinéia. Nome estranho, nome difícil. Filha minha terá nome de santa! Então Maria e Maria. Vieram logo. Todos de branco.
Muito pouco tempo. Já não as tenho. Creio que há dois dias ando pelo costado da estrada, neste imenso matagal morto, carbonizado e negro. A noite ainda mais. Na hora que perdi os sentidos me veio à cabeça este lugar desolado. A medida que a vista nublava, a ferida queimava e o corpo tremia, não sei porque lembrei desta horrorosa assombração de tudo morto. Não devia ter ido a casa! Nem saber eu queria. Se soubesse, pediria para não saber. Não sabendo, ninguém saberia.
Ele estava lá, em meu lugar. Eu no lugar errado. Demoraram a perceber que os via. Creio que as meninas a brincarem no pátio abafaram minha entrada. Mas ao me verem logo desvencilharam-se, um para cada lado. Ela para esconder-se nos panos. Ele para o cabo da arma. Tum, tum, tum de tambor.
Uma das Marias se ajoelhou e me pegou na mão. Madissinéia, tapada somente por um lençol branco, deixava as canelas a mostra, denunciando pernas mal depiladas. O sol daquela tarde transparecia o branco, e a deixava nua, suada. Estava revolta pelo sol intruso que lhe silhuetava. Quase aura, tipo santa. A Maria ao meu lado chorava. A outra, escondia o rosto na cintura da mãe que, sem bem lembro, não chorava, não ria, não cegava, nada. Estava com um olhar firme, numa expectativa de "quase".
As janelas bateram fortes numa ventania repentina. Os cabelos de Madissinéia agitaram-se. Minha Maria chorava mais alto, mas eu a ouvia cada vez menos. A outra Maria ainda mais longe. A porta também dava fortes socos contra a parede da sala. Tivesse o desgraçado fechado a porta ao sair para ninguém me ver.
Já iam longe na estrada que cruzava o mato. Eu não conseguia ir além. Todos em fila. Novamente um breve soluço e choro. Eles pisoteavam os galhos, numa sincronia de pisar, estalar, pisar. Todos no mesmo galho. Todos negros. Ela enxugava o suor feito lágrima. Devia estar cansada. Era difícil para uma jovem vestir negro.
De longe ainda sentia o azedo cheiro do cortejo negro. Via pequenos pontos negros em fila. Um grande homem negro ponteando os outros. Uma negrura jovem com mais duas outras. Outros negros juntos numa massa triste. Também alguns que nem sei bem se de negro iam. E eu fiquei no mato, recostado ao tronco. Vazio, oco, morto. Rodeado de outros, todos negros, muitos outros.



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Conto da Gata






Perdidos

Os homens jogavam sinuca, na tarde morrida... Era um puxado num casarão de esquina, perdido num rincão, perdido no tempo e no mundo...

O vento eriçava os pelos e adentrava a saia, maroto como correntino. O dono do bar percorria com o olhar o caminho do vento enquanto secava os copos de bebida. A mulher não era das redondezas, ruminava. As mulheres dali eram possantes! Tiravam sustância da terra. Tinham formas arredondadas e marido. Aquela era magrela, como ovelha bichada... Prestando atenção em sua face descarnada e nos olhos úmidos e amendoados, não deixava mesmo de ter semelhanças... Mas as pernas eram bem torneadas, os seios em pera, apesar de pequenos...

A mulher sentiu o olhar devassador, virou-se e caminhou para um banco de tábua, lá embaixo dum cinamomo, ao relento... Mas, que fazia a criatura? Por certo queria morrer de frio, com aquele vento e aquela garoa quase neve num vão criado por Deus-Nosso-Senhor entre a tarde e a noite...


Um dos homens, que pintava de giz o taco da jogatina, enfiou a cara pela janelinha de tramela e chamou! Perguntou se não queria uma gajeta com mortadela. Ela fez que não, com um meneio de cabeça e ele retrucou que era de graça. Ela voltou. Comeu, ali mesmo, no balcão do bolicho, à luz do lampião de gás que já agora iluminava a sua pele murcha, não dos anos, mas da magreza... Não tinha aonde ir. Já viajava há dias na boleia de um caminhão, sem destino, mas o caminhoneiro havia chegado ao destino dele e a largara ali. Não sabia para onde nem de onde... O homem que lhe pagara o fiambre lhe indicava uma tapera perdida numa ponta de mato, a poucas horas dali, deixando a estrada. Agradeceu a bondade e seguiu o rumo indicado, na noite fria e sem lua.


Era uma picada comprida, cheia de juás... Muitos galhos secos a lhe riscar as pernas. Pensando em se aquecer num pequeno fogo, foi recolhendo gravetos pelo caminho. Ao chegar à casa abandonada, trazia uma braçada de lenha.

Não havia porta. Nem fogão havia. Umas poucas paredes protegiam do vento, junto com o arvoredo... O chão era batido... O teto de capim santa fé, já desmachando, deixava clarabóias, por onde se podia ver o céu e as estrelas, nas noites quentes, supunha-se, era uma noite escura..noite de desgraçados...Ela suspirou, um canto só seu... Ajoelhou-se a principiar o fogo. Uma preteleira, no quarto contíguo, ainda guardava latas com banha e farinha de milho. No dia seguinte haveria de ver o que dava para fazer... Agora, era se aquecer e descansar da vida... Pelo menos, por um dia...E adormeceu com os uivos do graxaim, ao longe, que ela não conhecia.


O que se sucedeu a seguir, embaralhou-se na sua mente. Reconheceu um deles, o que lhe tinha sido gentil. Os outros tinham todos o mesmo focinho, o mesmo cheiro de cachaça, as mesmas mãos imundas, o mesmo sofrenegar dos animais no cio. Não havia o que fazer! O grito se perdeu na garganta... As pernas paralisaram... Perdeu a noção do tempo, desviou o próprio pensamento para um cadinho de infância feliz e depois, mais tarde, o primeiro namorado e cerrou os olhos, assim...

sandra santos
in "Bar do Escritor" - LGE Ed



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Poesia da Gata






Latinidades



Nox
 
os arruaceiros
rasgam a noite
mas o meu medo
é dos vigilantes
 

Ante Meridiem

o relógio
é uma figideira
a fritar as horas da cozinha!


Omnis

Cortei o verso
sem dó
e se era o Verbo?



sandra santos






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